Mais uma façanha de Zverev

Mais uma façanha de Zverev
É evidente que ainda falta um troféu de Grand Slam para Alexander Zverev entrar num outro patamar do tênis, porém o alemão encerrou com sucesso uma temporada de muito peso e de grande pressão extra-quadra. Além do emocionante título olímpico, venceu outros cinco torneios, que incluíram diferentes Masters.

É evidente que ainda falta um troféu de Grand Slam para Alexander Zverev entrar num outro patamar do tênis, porém o alemão encerrou com sucesso uma temporada de muito peso e de grande pressão extra-quadra. Além do emocionante título olímpico, venceu outros cinco torneios, que incluíram diferentes Masters. Acima de tudo ele claramente amadureceu.

Deixou de ser o garoto reclamão e passou a encarar seus desafios, mostrou evolução técnica em vários campos e fez um trabalho físico que lhe deu maior resistência e agilidade, o que influíram na sua capacidade defensiva. Sascha está longe de ser um grande voleador, mas não tem mais medo de tentar a rede e adotou um segundo saque forçado que causa espanto. Foi com esse golpe tão arriscado, por exemplo, que ganhou um ponto importantíssimo no tiebreak diante de Novak Djokovic e fechou o jogo diante de Daniil Medvedev.

Sem dúvida, é muito mais jogador do que em 2018, porém seus dois títulos no ATP Finals tem um gabarito particularmente grande. No primeiro, venceu Roger Federer numa duríssima semifinal e dominou Djokovic no dia seguinte. Desta vez, derrotou os dois líderes do ranking em exibições de alta qualidade e firmeza, um feito bem raro num Finals e que não acontecia desde 1990. Automaticamente, encerrou a temporada com maior número de títulos (6) e vitórias (58).

Talvez o melhor parâmetro da atual capacidade física, emocional e técnica de Zverev sejam seus cinco confrontos diante de Djokovic, todos na quadra dura. Ninguém duvida que o sérvio jogou uma temporada magnífica e ainda assim sofreu duas derrotas em eventos imponentes, em Tóquio e no Finals; venceu no US Open e no Australian Open em autênticas batalhas e suou até mesmo na ATP Cup. Claro que estamos falando em pisos velozes, no entanto vale recordar que em 2018 o alemão só tirou 15 games em três jogos e demorou sete confrontos e quatro temporadas para enfim ganhar um set, justamente na ATP Cup de fevereiro.

A opção tática para tentar encerrar o incômodo jejum de cinco derrotas para Medvedev foi bem interessante. Cinco dias atrás, a vitória escapou por pouco na mesmíssima quadra de Turim, já que chegou a ter 4-2 e saque no tiebreak do terceiro set.

Desta vez, ele foi muito mais proativo, tentou encurtar os pontos e fugir dos ralis, utilizando voleios, swing-volleys e qualquer bola na subida que aparecesse. A mudança de ritmo pareceu incomodar o russo, que não sacou bem como de costume e isso criou uma pressão adicional. Ainda assim, foi um jogo de apenas duas quebras em favor de Zverev. Vejam que estatística valiosa: mesmo adotando um estilo de maior risco, não encarou um único break-point e cometeu apenas 13 erros.

Ao que tudo indica, Zverev está pronto para dar esse passo a mais e tentar com real chance um título de Grand Slam. Ele já evoluiu. Fez sua primeira semifinal no Australian Open de 2020, decidiu o US Open há um ano e nesta temporada foi à penúltima rodada até de Roland Garros. Wimbledon é o mais fraco, com duas oitavas, porém a grama não pode ser uma superfície a lhe dar problemas.

Tomara que assim seja, porque o circuito só vai ganhar em emoção se novos e fortes candidatos às façanhas e à ponta do ranking se firmarem.

Desafio do Finals
Joelson de Araújo Diniz Mota foi extremamente bem no palpite sobre o placar e o tempo da partida: cravou o placar e quase acertou os 80 minutos (foram na verdade 74). Assim, ele leva a biografia de Novak Djokovic, grande sucesso da Editora Évora.